21.1.06

(?!)

"Podia dizer-te muita coisa. Podia dizer-te que me corres no sangue como droga que injecto nas veias ao acordar. Podia dizer-te que a minha voz te procura na escuridão dos meus demónios. Que eles são tu. Que o teu nome está em todas as ruas e que o teu cheiro me sufoca as narinas quando o meu coração tenta respirar. Podia dizer-te que a metafísica das coisas deixa de fazer sentido quando te sinto o quente das mãos e o doce do olhar. Podia dizer-te que te sei de côr, cada milímetro de pele, cada traço do rosto, cada sinal escondido, cada impulso nervoso que te corre no corpo, cada arrepio de sangue que te passa na alma. Podia dizer-te que gosto de ti como quem gosta de gostar e que és o frasco da vida que desejo sorvir a conta-gotas. É, eu podia dizer-te muita coisa. Mas hoje não me apetece. Não me apetece morrer outra vez."

4 comentários:

Anónimo disse...

Bemmmmmmm...mas que texto lindo!
Muito profundo, muito especial!
Obrigado por partilhares!
Beijinho*

mixtu disse...

adorei, e olha diz-lhe quando achares que é o momento certo...
jinhos

Rita disse...

é nestes momentos, em que há tanta coisa para dizer, que o silêncio é de ouro.
beijinhos menina ana*

mixtu disse...

Vejo que ainda não lhe dissestes... e fazes bem