24.1.07

Eu tentei ficar, juro que tentei.


Mas quase nunca conseguimos segurar e ter nas mãos, as curtas-metragens das nossas vidas nem as voltas tresloucadas do nosso coração... Então pedi-te que te fosses embora, para não ter que sentir que te deixei e para me conseguir iludir de que os meus passos tinham a convicção certeira de quem sabe para onde vai...
E não te vou dizer que é sempre bom, porque estaria claramente a mentir. Mas é quase sempre. É verdade que há dias em que se me corta o coração, de não puder sentir tudo de uma vez. No entanto, não ia conseguir que fosse de outra maneira. Não ia conseguir viver cheia de certezas e vontades mesquinhas que me sufocariam e me fariam andar numa corda ainda mais bamba.
Assim, estou cada vez mais apegada a estas vontades que emanam do chão, mas que nunca me prendem a ele nem me deixam voar de mais... Estas, que chamam o coração para o lado da razão de cada vez que ele fica mais do teu lado do que do meu...

Ás vezes, gostava que ele percebesse que estamos quase sempre do mesmo lado.


4 comentários:

Joana R disse...

Foi assim e foi quase perfeito.
Sinto que, se pudessemos repetir e recriar esses momentos, não teríamos imaginação suficiente para os fazer assim fantásticos, nostálgicos, saborosos e imcompreensíveis. :)*



Gostei!

Joana R disse...

*incompreensíveis. ups

Rita disse...

as coisas são efémeras. custa-nos acreditar que assim é, e é por isso que o coração estremece de todas as vezes que pensamos como poderia ter sido... *

pedro disse...

este post faz-me lembrar um texto que escrevi há uns tempos sobre as relações, o amor e a partida.

deixo-to para ti.

não te abandones como se fosses um mero grau de areia atirado pelos ventos,
nem queiras permanecer como rochedo indiferente aos tempos, nós não nos vamos nem ficamos, apenas fruimos no rio da vida, e nos passos que deres no caminho do futuro existirão sempre amigos verdadeiros, tão nossos, que ficarão sempre lá, para que possamos, mesmo que em vão, ousar partir sem nos findarmos.