29.11.06

.6.

Passam dias
Passam noites
Só tu sabes o que é desesperar
As tuas horas são dois milénios
E aquela canção só vem lembrar

Tens o vício na memória
E o teu coração não quer voar
Sempre e só queres a vitória
Mas tens medo até de te encontrar

Não mexas no tempo
Pára de esperar por quem não vem
Pede ao mar e pede ao vento
Essa paz que o amor tem

Não mexas no tempo
Pensa que esperar não é perder
O reencontro ao fim de um tempo
É mais doce que viver

O tempo é algo intocável
Isto não é para esquecer
É no mais íntimo do tempo
Que não se deve mexer

.André Sardet


23.11.06

Amizade


"O tempo passa a correr.
Os dias avançam, assim como os meses e os anos. Os hábitos mudam, os valores mudam, as crenças mudam. As pessoas mudam! Os objectos mudam de lugar, as paredes mudam de cor, umas enchem-se com mais fotografias e escritos, outras nem tanto. As recordações apagam-se, outras perdem a importância que um dia tiveram. Um dia.
Mas em oposição, há coisas que dificilmente se perdem... Há coisas que ficam para sempre, e que resistem ao frio, à chuva, à distância física, ao tempo. E conjuntamente com elas coexistem novas coisas, descobrem-se novas pessoas, novos objectos, tiram-se novas fotografias, começam a formar-se novas e doces recordações sem nunca perder o sentimento pelas coisas que ficam para sempre."

(para a Filipa e para a Ana*)

20.10.06

Antes que seja tarde

Estou a ouvir Mafalda Veiga e instintivamente apetece-me escrever. Ao ouvi-la cantar lembro-me e penso nas pessoas que me são mais queridas. Vêm-me à cabeça, as vezes em que já não experimentei o sentimento de impotência e frustação que é, quer seja numa relação de amizade, de amor, de família ou até mesmo de trabalho, ficarmos com a sensação de que tudo ficou por dizer quando perdemos alguém ou quando simplesmente nos afastamos de alguém.
No meu entender, pelo menos uma vez na vida já todos sentimos que gostávamos de ter dito qualquer coisa que não soubemos ou não quisemos dizer enquanto era tempo. Nem sequer é preciso referir-me à morte para constatar a inevitabilidade deste sentimento de perda; basta olhar um pouco para trás e ver quantas pessoas se cruzaram comigo e me tocaram sem que fosse capaz de lhes retribuir.
Este sentimento está bem patente logo em casa, com os pais. Falando na 1ª pessoa sinto que nunca lhes agradeçerei o suficiente pelo que fizeram e continuam a fazer por mim todos os dias, sendo também verdade que por serem meus pais, facilmente os confronto, num misto de conflito interior, devoção e sentimento de culpa.
Para não dramatizar excessivamente nem permitir que este texto se torne muito pessoal e lamechas, o meu ponto de vista é bem simples e traduz-se numa frase do género: não basta gostar de alguém, é preciso mostrar que gostamos. Muito.
Portanto, hoje com Mafalda Veiga no ouvido e imensas memórias e lembranças a palpitar no coração, faço uma promessa a mim mesma; tentar não me esquecer de mostrar melhor que gosto de quem gosto. Antes que seja tarde.

(os posts seguintes serão dedicados a alguém. este é para o suposto SHB*)

10.10.06

.5.

Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou ao ver o seu amigo partir

E quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou

Amigo é coisa para se guardar
Do lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam não
Mesmo esquecendo a razão

O que importa é ouvir a voz que vem do coração
Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto a te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai-se encontrar

Milton Nascimento, "Canção da América"

23.9.06

que venha o superior

despeço-me do secundário e anseio por uma vida de universitária feliz. a todos os que estiveram sempre lá, aos que embora sem estar presente estiveram sempre no coração, àqueles que já não estão e desejava que estivessem. aos que deixaram sorrisos e me aconchegaram as lágrimas, aos que riram e sorriram comigo. aos mais pequeninos, e aos grandes também. aos que guardo dentro do meu coração e àqueles que há muito fugiram ou deixei que fugissem de lá. aos que proporcionaram os melhores momentos e aos que atenuaram os piores. àqueles que me ensinaram a crescer e fizeram de mim o que sou agora. aos que me continuarão a ver. aos que ficaram do lado de lá da janela e que não deixei entrar, e aos que entraram sem pedir autorização. aos que virão e aos que acabarão por partir no decorrer da vida. áqueles que me abraçaram sem eu pedir e aos que eu abracei com vontade. a todos, todos sem excepção um muito obrigada!

(na impossibilidade de agradecer pessoalmente a todos, aqui fica o "desabafo")

19.9.06

Às minhas meninas <3


A saudade boa vem através de todos os nossos sentidos.
De um cheiro familiar, o cheiro de um peixe grelhado leve para o almoço, o cheiro da lasanha no forno preprarada à pressa, o cheiro do mar quando o sol se põe, o cheiro das toalha molhadas pela maresia e pela areia, do cheiro do gel de banho fresco e relaxante que nos renova o corpo cansado.
De uma visão especial, de sorrisos francos e cúmplices, dos jarros de sangria e kamikaze à espera dos nossos lábios molhados, da luz reflectida no mar, das estrelas que nos beijam o cabelo desalinhado e nos deixam fazer promessas sobre o seu olhar vigilante.
De um toque intenso, da espuma das ondas revolta sobre as nossas costas, das mãos ásperas pelo sol dadas em cumplicidade, de um abraço de pura amizade, de um carinho feito com todo o amor do mundo, do bater dos raios de sol na pele morena.
De um sabor delicioso, do amargo do limão que passa pela garganta depois de um shot mais forte, de um beijo intenso de quem nos fala à alma, do sal do mar nos dentes, da imperial fria na esplanada, do gelado que nos tira o calor e as inibições da ponta da língua, da pele que escorrega pelos lábios e estremece sob os dedos.
De um som envolvente, da música que nos leva para a pista, dos risos que deixam antever histórias de noites memoráveis e bem passadas, dos passos que nos fazem prever quem se aproxima, das ondas a abraçar a areia, das vozes unidas que simplesmente cantam ou se deixam misturar, dos serões à volta do Uno, das palavras doces ao ouvido para ninguém mais ouvir mas que passam em cadeia para permanecerem sempre nossas.
As saudades boas são aquelas que nos deixam com um sorriso nos lábios, ainda que ao mesmo tempo surga uma lágrima no cantinho do olho.

4.8.06

Corrida de Corações

Deu-se bem mais do que um tudo por tudo, que um último esforço e um último sprint na recta final. Ninguém fala, apenas se ouvem múrmurios delicados e temperados para que os sentimentos não se percam na imensidão que é uma boca. Os sentimentos são precisos mas as palavras que os exemplificariam e demonstrariam poderão não o ser. E de que vale um coração vazio numa corrida de corações? Nada. São como pés descalços numa maratona a desfazerem-se no asfalto a ferver. Onde só importa chegar ao fim sem falar, com os retalhos necessários, sem levar qualquer partilha e companheirismo na "bagagem", porque só interessa cumprir o objectivo. Por isso, tenho sorte. Juntamente com voçês sinto que chegamos ao fim sem ficarmos pelo caminho ou então trocarmos tudo por uma corrida de pés descalços, onde quem chega em primeiro perde. É também com os nossos corações cansados mas serenos na medida do possível, que sofremos e confortamos quem infelizmente tombou e pelo caminho ficou com pena nossa. E se alguma vez eu vos falhar, lembrem-se que não sou a Super-amiga nem o tento ser. Sou apenas a Ana Isabel, insegura, chorona, um pouco infantil, muito sonhadora que embora frágil quer sempre o melhor para vós.

começo a ficar nostálgica com as distâncias físicas que se vão interpor entre mim e algumas pessoas do (L)

1.8.06

Sabe bem (re)ler

"Existe sempre no mundo uma pessoa que espera a outra, seja no meio de um deserto ou no meio das grandes cidades. E quando essas pessoas se cruzam e os seus olhos se encontram, todo o passado e todo o futuro perdem qualquer importância, e só existe aquele momento e aquela certeza incrível de que todas as coisas debaixo do Sol foram escritas pela mesma Mão. A Mão que desperta o Amor, e que fez uma alma gémea para cada pessoa, que trabalha, descansa e busca tesouros debaixo do Sol. Porque sem isto não haveria qualquer sentido para os sonhos da raça humana."

O Alquimista

20.7.06

Cada vez tenho mais consciência que tenho que crescer. Sou muito lírica, muito poética, muito de retórica e muito de idealismos. Mas de que matéria são feitos os sonhos? De que matéria são feitas as opções de vida? As escolhas, as decisões que quer queiramos, quer não nos comprometerão para a vida.
Teremos emprego, poderemos contar com saídas profissionais? Poderemos optar pelas paixões que sempre alimentamos, pelos sonhos que sempre tivemos? Ou reduzimo-nos a escolhas que terão saída profissional futura, que dão garantias de independência financeira, que permitirão conquistar um lugar no mundo do trabalho?
Sou insegura. Muito. E pessimista. E tenho qualquer coisa que me impele a acumular sentimentos de culpa, que me consomem e me fazem sentir mal. Acho, penso, digo, sinto... e é tudo tão confuso que no fim fica um vazio. Daqui a menos de um mês tenho que apresentar uma candidatura de acesso ao ensino superior.
E candidatar-me ao quê? Aonde? Serei feliz nas escolhas? Deverei seguir a minha vontade de tirar Psicologia ou deverei reger-me pelos conselhos sábios e sinceros dos familiares e alguns amigos que insistem que estou a ingressar num curso para o desemprego? Ficarei a sentir-me mal? Saúde será uma opção? Enfermagem será uma boa escolha? E Jornalismo? E Ciências da Comunicação? E Reabilitação Psicomotora?
Acusam-me de ser indecisa, de nunca ter lutado por uma nota, de ter sempre dito que logo se veria... mas e agora?! Vazio, indecisão, confusão, tristeza e muitas lágrimas.

10.7.06

.,

"Dizeste-me vai fazer amanhã um mês que "é irónico que muitas vezes o importante fique por dizer, rodeado de incertezas, mas as coisas são o que quisermos". Cito-te porque esta frase marcou-me. Concordo contigo, as coisas são o que quisermos mas as mesmas têm inerente a si um rol indeterminável de limitações e/ou desvantagens. Os prós e os contras de qualquer ideia, de qualquer objectivo se assim posso dizer. E aqui, começam as confusões.
Muitas vezes, se quiseres e, para ser sincera demasiadas vezes, deixo pendente determinados assuntos que até à data me pareciam simples e factuais, mas que por uma razão inexplicável se tornam demasiado complexos. Idealizo demasiado as relações, as pessoas, as coisas, as situações e espero sempre ser surpreendida. Adoro a expectativa da resposta ao estímulo que está subjacente às minhas palavras e às minhas próprias acções. Sou matreira, demasiado enigmática para que me percebam à primeira, porque se me perceberem rapidamente poderão perceber o oposto passado uns tempos. Sofrerei de bipolaridade? Não sei.
Só sei que sou toda coração, que as minhas entranhas e vísceras se regulam pelas emoções, pelos afectos, pelos sonhos, pelos sentimentos. Entrego-me quase sem defesas, mas acabo por sair quase sem mazelas, e deixo-te a ti magoado, fragilizado e demasiado confuso. Entendo-te, ou pelo menos assim o tento. És tão racional, tão recto e tão prevísivel que quando me dizes que gostavas de por vezes, arriscar como eu, sou levada a sentir remorsos. Nunca te quis nem quero magoar. E, por isso estou tão mal, tão fechada em mim, tão nada, que nem me consigo abrir e desabafar com os que me são mais próximos, só consigo passar para o teclado de computador estas palavras estúpidas numa tentativa inútil de arranjar justificação para compreender o meu agir.
As minhas palavras nunca serão o retrato fiel do que eu gostaria e quereria dizer-te, mas quando me dizes que "as palavras não são o retrato fiel, mas amam-nos, odeiam e magoam, tal como as acções", um nó forma-se dentro da minha garganta... Como?!... Como explicar-te por palavras que mesmo sem querer, cai na tentação de te iludir, de te começar a afastar de um lugar especial do lado esquerdo do peito que parecia destinado a ti, porque me apercebi que não era isto que eu queria para mim (para ti, para nós). Desculpa-me.
Perdoa-me, talvez seja a expressão verbal que deva sair dos meus lábios. Nunca quis brincar contigo, nem iludir-te, nem esperar que te apaixonasses por mim para depois te dizer que afinal eu não sentia o mesmo por ti. Tenho consciência que nunca to disse, mas tenho medo de indirectamente o teres percebido... às vezes, nas entrelinhas perdem-se tantos dizeres...
E agora? Agora queria apagar tudo, ser "tábua rasa" novamente, e voltar ao que eramos. Queria retomar o há-vontade, a confiança, a cumplicidade que tanto caracterizava as nossas conversas e peripécias do correr quotidiano. Mas, por enquanto parece-me demasiado díficil. Sinto necessidade de me afastar por uns tempos, acho que me fará bem e a ti também. Espero sentir-me outra vez "eu", poder estar contigo naturalmente dentro em breve. Prometo que não te deixo sem notícias... prometo. É a única certeza convicta que te posso oferecer neste momento."

Com afecto,
Ana

3.7.06

.4.


Será que a gente ainda será

A velha estória de amor que sempre acaba bem, meu bem
Meio demodé p´ra hoje em dia
Antigamente tudo era bem mais chique

Porque a gente nem sabe porquê
Mas acontece que eu nasci p´ra ser só de você
É claro que a sorte também ajudou
Ultimamente, um romance dura pouco

Cola, seu rosto no meu rosto
Enrola, seu corpo no meu corpo
Agora, está na hora de dançar...

Rita Lee

9.6.06

Nunca se volta.


O que significa voltar? Procurar um lugar onde se esteve antes de partir mas a que já não se pode regressar, porque simplesmente já não existe.
Já não existe porque o tempo exerceu sobre ele o seu efeito transformador. Se não o fez sobre o que ficou, transformou seguramente quem partiu.
Basta pensar que os cheiros, as pessoas, os rostos, as expressões, os sentimentos se transformam quando voltamos a um determinado lugar do passado. É verdade, que há coisas que nunca mudam, mas se as coisas não mudam as pessoas em oposição, estão em constante mudança num estado de desenvolvimento crescente.
Esta evolução é a essência de sabermos que em cada hora, algo novo nos é acrescido, quer seja um ensinamento quer seja um sentimento... Cada hora de vivência deve significar uma hora de maior esclarecimento. E quando se percebe melhor o conteúdo de palavras como saudade, amizade, entrega, amor ou brevidade, simplesmente não se regressa, chega-se como pela primeira vez.

26.5.06

.3.

This is what i´ve learned so far
Everything is grey
Few things are forever and it hurts when good things fade
You can´t be my everything
And i´m not half of you
But you can make it all worth while and that´s why i love you...

When you look at me, am i incomplete
And i am missing something everybody else can clearly see
When you look at me...

I have tasted happiness
The innocence of joy
Do we pay a price for every moment we enjoy
I could make you promises
But even i can´t say if everything i feel for you
Will never go away

When you look at me, am i incomplete
And i am missing something everybody else can clearly see
When you look at me...

Will you be my everything, maybe just this time
We can really think that i am yours
And you are mine
I am yours and you are mine...

16.5.06

Coração


Sim, porque apesar de tudo, apesar de tudo o que eu, tu e o "nós&outros" sabe, eu acredito que o amor existe. Sim, acredito nele, tal como acredito nas paixões. E se querem que vos diga, paixões há muitas mas amor, amor há só um.
E sei que ambos fazem sofrer. Mesmo muito. Poder-nos-ão levar a ultrapassar os nossos próprios limites, quebrar barreiras, alcançar metas imaginárias, mas nele (no amor) nada é impossível, só algumas coisas se apresentam como pouco prováveis. Levar-nos-á também a colocar em causa os nossos princípios que por vezes, esmiuçamos até não restar convicção alguma.
Mas também nos fazem sorrir. E preenchem-nos, enchem-nos e completam-nos. Chamem-me emocional, sonhadora, idealista, lamechas e mais uns quantos adjectivos do género, não me importo. Ainda acredito na partilha e entrega de um espaço, de um tempo vivido a dois, de um sentimento, de um (só) coração.
Porque sim, é o que realmente dizem. São as emoções e os sentimentos que fazem girar o meu mundo... são elas que me fazem viver: sentir, sorrir, chorar, rir, cair, levantar, continuar e quem sabe recomeçar.
Ainda acredito que é possível viver um conto de fadas, uma paixão avassaladora, um amor no qual se acredite, pelo qual se lute com a certeza de que embora tudo seja efémero, ele poderá durar para sempre, resistindo ao frio, à chuva, ao vento, ao calor e ao próprio Homem. Não deixem voçês de acreditar também...

13.5.06

.2.

Confesso acordei achando tudo indiferente
Verdade acabei sentido cada dia igual
Quem sabe isso passa sendo eu tão inconstante
Quem sabe o amor tenha chegado ao final

Não vou dizer que tudo é banalidade
Ainda há surpresas mas eu sempre quero mais
É mesmo exagero ou vaidade
Eu não te dou sossego, eu não me deixo em paz

Não vou pedir a porta aberta é como olhar pra trás
Não vou mentir nem tudo o que falei eu sou capaz
Não vou roubar teu tempo eu já roubei demais

Tanta coisa foi acumulando em nossa vida
Eu fui sentindo falta de um vão pra me esconder
Aos poucos fui ficando mesmo sem saída
Perder o vazio é empobrecer
Não vou querer ser o dono da verdade
Também tenho saudade mas já são quatro e tal
Talvez eu passe um tempo longe da cidade
Quem sabe eu volte cedo ou não volte mais

2.5.06

.1.

Hey guy - you´re the one for me
Your face - the sweethest thing i´ve ever seen
Stop by - dedicate to me
Your time - your time

At night - it really gets to me
I find nobody is here with me
Stop by - say you´ll stay with me
You´re the one i really miss

Every single day - single hour
I can see your face - single day
Every single day - single hour
I can see your face - single day
Every single day - single hour
I can see your face - single day
Every single day - single hour
I can see your face - single day

Hey guy - you´re the one for me
Those eyes - the loveliest i´ve haver seen
Stop by - just to say to me
You´re mine - you´re mine

This time lay some love on me
I´m blind - to anything surrounding me
So fine when you´re next to me

You´re the one i can´t resist

1.5.06

Ao olhar hoje para as tuas fotografias deparei comigo a cair numa vertigem fria de sentimentos e recordações. Sabes, é comum eu apaixonar-me muitas vezes ao dia, demasiadas vezes se assim se pode dizer e, é sempre por muitas pessoas, por muitas coisas, por muitos momentos, por muitas músicas. Sigo quase sempre os meus impulsos para o bem e para o mal e penso em tantas coisas ao mesmo tempo que as palavras não chegam para tudo. A mesma coisa acontece quando inicio em simultâneo mais que um projecto, que ficam pendentes, porque entretanto descobri outros, ainda melhores e, é a esses que me dedico.
Tu não és nem nunca foste um projecto. Mas eu apaixonei-me por ti, pela praia, pela noite, pelo ambiente, pelo nascer do sol. Assim, sei que fiquei presa a ti embora me tenhas atado mas não me tenhas prendido... Deixaste-me escapar porque nunca me quiseste ter e, eu é que interpretei as coisas mal. Hábito comum também à minha pessoa. É como as músicas. Há letras que só me caem dos dedos quando a mudança espreita e há frases que só percebo quando algo me falta. Há músicas que só canto na minha tristeza e melancolia e há momentos em que desejo recuperar os estados de espírito que deixaram saudades.
Queria recuperar-te agora. Não sei bem porquê, porque desconfio que a conversa acabaria por não fluir, mas mesmo assim, era bom ter-te por perto. Poderia dizer-te que para mim, tens um cartaz invísivel colado na testa: "Cuidado, não te aproximes que eu não saberei colar os pedaços que partirei em ti." Colado na testa e subentendido no olhar e no sorriso matreiro. A minha atracção inevitável pelo abismo poder-se-á explicar se eu conseguir observar na 3ª pessoa a minha relação contigo.

20.4.06

flpj

Fica. Fica só mais um pouco, fica só mais um pouco neste momento perfeito. Só assim poderemos apreciar os primeiros raios de sol da manhã clara, o primeiro nascer do sol que os meus e os teus momentos têm (talvez o único). E a manhã corre. E o dia passa. O tempo escoa e entre nós as palavras não acabam, os abraços não cessam, os sorrisos não se perdem, os olhares não se acalmam e as mãos não serenam. É disto que a nossa vida é feita... Destas pequenas particularidades que nos preenchem (e preenchem tanto).

Fica. Fica só mais um pouco, fica só mais um pouco neste momento perfeito. É que hoje, hoje é o último dia...

13.4.06

Dia Bom

Hoje acordei tarde, deixei-me dormitar ao de leve, sonhei contigo durante toda a manhã, não consegui saltar para fora da cama mas também não me entreguei a ela sem resistência. Enrolei-me aos lençóis como se eles fossem os teus braços, simbolizassem os teus abraços. Enrolei-me tanto que no enleio parecia que eles me queriam abraçar de uma forma tão nobre e doce, que era eu que os moldava ao meu próprio corpo. Abraçei-os, abraçei-te, rebolei neles e senti a tua face. Um pouco áspera (talvez devido à barba por fazer), que me fez cocégas e me soube bem. Por entre as pernas, os lençóis, uns e outros entrelaçados, tanto que já não sabia quem seria mais suave, se eles se tu, se eu se eles, se a minha idealização de ti ou simplesmente a minha fantasia de ti. Abri os olhos no escuro e por entre as frechas da presiana vislumbrei um dia soalheiro, que me encheu o peito. O sol intrometeu-se no quarto e fez-me pensar que foi pecado ficar na cama com o dia lindo que está lá fora. Mas não faz mal. Acordei bem. Sem me preocupar demasiado com o facto de te dares tanto e tão bem à minha memória... Lentamente vou costurando os retalhos do meu coração com linhas de sossego. Às vezes precisamos somente disso. De saber que as coisas têm o rumo inevitável, como os dias se sucedem às noites, como as estações do ano, como as fases da lua, como as marés, como a vida e a morte. Reconciliação. Acho que é a palavra mais serena que consigo encontrar para mim, hoje. E, é também, uma palavra recorrente na Páscoa.

12.4.06

!

Perdida por ti, preciso de me perder em ti ou de ti.